sexta-feira, 1 de abril de 2011

Escalando sem ver os treinos

Como somos todos técnicos, cada um de nós tem sua escalação.

Nos times vitoriosos, esta variação de opiniões tende a ser menor, porque os resultados tendem a mostrar ao torcedor que o melhor time é realmente aquele escalado pelo técnico. Mesmo assim, dificilmente há um consenso em relação aos nomes dos titulares, pois mesmo na vitória e até na conquista de um campeonato, sempre há divergência de opiniões em algumas posições, nas quais se supõe que certos jogadores poderiam agregar mais qualidade ao time se escalados no lugar daqueles escolhidos pelo técnico. No futebol, contra fatos, sempre existem argumentos, mesmo que poucos, como neste caso.

Já quando a campanha não é boa e o futebol apresentado não agrada, aí escapa pouca gente. Do goleiro ao centro-avante, quase todos são questionados. Reserva vira craque, jogador esquecido vira solução e quem nunca jogou merece sua chance.

Na situação atual do Avaí, vejo que a maioria só poupa três jogadores na lista dos titulares do Silas: Marcinho Guerreiro, Marquinhos Santos e Willian, ainda assim, com algumas variações com inclusão e exclusão de nomes nesta pequena lista.

No gol, como Renan não vem passando segurança e Zé Carlos falhou algumas vezes, tem gente apostando em Aleks, que nunca jogou uma partida como titular. Seu maior crédito é ter sido convocado para a seleção sub-20, o que realmente mostra que ele tem futuro. Eu disse futuro. Querer jogá-lo às feras é queimar etapas. Pode dar certo, mas acho muito arriscado. Em qualquer outra posição é possível colocar um novato, alguns minutos num jogo, metade da partida em outro e se não der certo, pode sacar sem muitos traumas. No caso do goleiro, se ele não for bem, a imagem negativa fica associada a ele. Por isso, não acho prudente colocar o menino no gol neste momento.

Na zaga, acho que a única opinião unânime é que Emerson (que está no Coritiba) faz muita falta. Nossa solução não está no banco. Se Silas não conseguir acertar a zaga, a solução será contratar mais um zagueiro. Como o time tem levado muitos gols de cabeça, não dá para transferir toda culpa para os volantes.

Na lateral, Gustavo nunca será aprovado. Pode comer a bola, cruzar na cabeça dos atacantes, desarmar o adversário, etc. etc. Ele já está condenado, mas como o diretor estrelar George Lucas voltou a rodar o filme “Eu e o DM”, vai mantendo a posição. Em tese, o diretor veio com bom cartaz e era para ser um dos destaques do time. Acho que não teve tempo de mostrar o que sabe. Espero ele voltar no brasileiro, para ver se precisa contratar mais um lateral. Ah, muitos acha que o irmão do Marquinhos não serve nem para a reserva, o que eu não concordo. Não é craque, mas não vem comprometendo. Do outro lado, Julinho apareceu como boa promessa, colocou Pará (que perdeu o crédito com a torcida) no banco e fez boas apresentações. Andou se passando nos últimos jogos e tem que tomar cuidado para não cair na frigideira da torcida. Tenho minhas dúvidas se ele tem capacidade para encarar uma série A. É preciso ter confiança e o apoio da torcida.

No meio de campo, entre os volantes, só Marcinho Guerreiro é poupado das críticas. Realmente ele se doa em campo, mas não o vejo acertando na marcação. Levar amarelo todo o jogo não é um bom sinal para mim, mas também não vejo ninguém melhor que ele. Diogo Orlando é o novo Marcos Vinícius. Só dá alegria quando não joga ou é substituído. Já está queimado e tem gente pedindo qualquer um para o lugar dele.

Há muitos defensores do Estrada. Não deve ter jogado 90 minutos, somados todos os jogos. Foi um pouquinho em cada jogo, mas muitos já viram nele o segundo craque do time, que junto com o Marquinhos Santos daria a qualidade no toque de bola que o time precisa. Eu não tenho tanta certeza. Poucos minutos é diferente de um tempo inteiro, jogando contra o adversário nas mesmas condições, acertando e errando. Será que ele não mostraria o verdadeiro jogador que é? Talvez o craque sonhado, ou talvez mais um mortal comum, que acerta, mas também erra. Ele realmente pode agregar valor, mais será que o time não fica vulnerável? Quando o Silas jogava no 4-4-2 e levava chumbo no brasileiro de 2009, tomo mundo dizia que ele não devia ter vergonha de jogar fechado. Agora não, é peito aberto e que se exploda a defesa, que já não anda bem mesmo.

Se o Estrada é venerado pelo pouco tempo de futebol que mostrou, há outro jogador que virou boa opção pelo seu passado. É o Fabiano. Jogou poucas partidas e em nenhuma delas mostrou um futebol convincente ou que lembrasse o seu passado. Mesmo assim, muitos afirmam que ele seria o jogador ideal para o lugar do “odiado” Diogo Orlando. Já li que até Batista deveria ter uma chance, pelo seu passado com a camisa avaiana. Ou seja, viraram boas opções pelo que fizeram outrora, já que não se sabe o que estão fazendo nos treinamentos. Marquinhos Gabriel pareceu uma boa contratação, mas divide opiniões. Pelo que apresentou nos jogos, parece um bom jogador, que tem que achar seu lugar em campo para poder ajudar Marquinhos no meio de campo.

No ataque, Willian é inquestionável pelos gols marcados. Rafael Coelho marcou o mesmo número de gols, mas perde tantas bolas que muitos não gostam dele. É claro que o iluminado Evando é sempre lembrado e pedido pelas inúmeras viúvas que possui. Eles sonham em ver de volta aquele jogador que fez um golaço de bicicleta contra o Corinthians, gol de vento ou gols decisivos como na decisão de 2009 e na partida do acesso. Lamento dizer, mas o tempo passou e ele não é mais o mesmo. Cristian já foi aconselhado a voltar a estudar, mas eu acho isso muita maldade. Como não tem porte físico para trombar com os zagueiros, nem velocidade para ganhar na corrida e muito menos talento para dribles e jogadas, restaria aquele senso de colocação do artilheiro para estar no local certo e na hora certa para fazer o gol. Que eu me lembro, isto só aconteceu uma única vez, no jogo contra o Metropolitano (eu acho). Muita gente falou que qualquer um faria aquele gol, mas o mérito dele foi justamente estar naquele ponto do campo naquele momento. Se conseguisse repetir isto, poderia reverter a situação. Mas é difícil.

Para encerrar, vejo muita gente escalando jogadores pelos jogos deste ano e pelo passado. Não vai ao treino para ver o desempenho de cada jogador e como o time funciona com cada escalação testada. Aí fica difícil. Pelos jogos, até se pode ter uma boa noção, mas o passado não pode servir para escalar ninguém. É certo que jogador ruim dificilmente fica bom, mas jogador bom envelhece, fica fora de forma, não se adapta, passa por fase ruim, ou seja, não é garantia de bom desempenho por toda a vida. Por isso, fico abismado quando comentaristas chamado profissionais e tantos torcedores e blogueiros falam com tanta certeza sobre jogadores que nunca viram atuar no time atual. Como nunca vão ao treinamento, com que base fazem suas afirmações?

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