terça-feira, 22 de maio de 2012

Ao seu Jorge, com carinho

Hoje não vou falar do empate do Avaí ou fazer um balanço da primeira rodada da série B. Vou falar de uma coisa muito mais importante que as vitórias, empates e derrotas que acontecem nos jogos.

Vou falar de uma sofrida derrota que tive em minha vida particular. Vou falar do seu Jorge, meu pai, que faleceu neste domingo, no final de tarde, aos 85 anos.

Vascaíno e avaiano, gostava muito de futebol, esporte que jogou por muitos anos nos campos da Palhocinha, em Garopaba e arredores. Sempre tinha uma história para contar das partidas e campeonatos que disputou.

Gostava de assistir a uma partida de futebol na televisão, mas não era muito ligado nos jogos internacionais, preferindo assistir um jogo da Copa São Paulo de juniores do que uma final de Liga dos Campeões. Nem mesmo a Libertadores lhe chamava atenção. Gostava mesmo era de assistir às partidas entre clubes nacionais, principalmente dos seus times de coração, Vasco e Avaí.

Seu último palpite de futebol foi no sábado anterior ao primeiro clássico da final. Ao receber a visita no hospital de um neto alvinegro que disse a ele que ia na Ressacada no dia seguinte assistir a goleada do Tombense em cima do Leão, meu pai falou que ia ser, imaginem só, 3x0 para o Avaí. Até eu que estava junto, dei risada, pois nunca ia imaginar que ele ia acertar o resultado.

Mas sua principal virtude não estava em acertar placares de jogos.

Homem de caráter e princípios, deixou para mim e meus irmãos e irmãs, o exemplo de que a honestidade e a justiça são bens que não podemos abdicar. Ser honesto não era uma opção para ele, pois não havia sentido ser de outra maneira.

Junto com minha mãe, passou dificuldades na vida, mas como dizia um pequeno cartaz que mantinha em seu quarto, numa pequena casa na Palhocinha, "Hei de Vencer", superou os obstáculos que encontrou na sua vida.

Professor por muitos anos e depois diretor de escola, foi nomeado como primeiro prefeito de Garopaba, em 1961. Foi vereador e novamente prefeito, desta vez, eleito pelo povo.

Mudou-se com a família para São José, em 1972, abandonando a carreira política, para que os filhos pudessem continuar os estudos. Seu sonho foi realizado, ao ver 6 filhos formados na universidade. Ele mesmo, aos 49 anos, prestou vestibular para Letras, na UFSC, onde se formou em 1977.

Querido e respeitado por todos que o conheciam, neste final de semana deixou tristes os muitos amigos que fez e que outrora dera muitas alegrias, com seu jeito simples, sereno e cativante, com suas piadas e sua maneira firme e educada de falar.

Homem religioso, foi exemplo de fé e dedicação à sua comunidade católica de Campinas. Esposo dedicado e carinhoso, deixou sua amada, minha mãe, após 63 anos de vida a dois.

Vai deixar muita saudade e um vazio no meu coração que sei que não vou preencher jamais.

Se estivesse escrevendo esta postagem num papel, certamente já estaria manchado com as lágrimas que estão escorrendo do meu rosto enquando digito as palavras no computador.

Ao meu Pai, quero agradecer por tudo que fez, mas principalmente pelo que foi.

Estarás sempre em meu coração e meu amor por ti, jamais acabará.

4 comentários:

  1. Meus sentimentos Paulinho,lembro de quando comprava sorvete com ele.

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  2. Meus pêsames a vc e toda sua familia. abs!

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  3. Meus pêsames Paulinho. Deus com sua sabedoria saberá confortar cada um de vocês.

    Abs

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  4. Ainda que atrasado, meus pêsames ao amigo e seus familiares.

    Um fraternal abraço!

    André Tarnowsky Filho

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