terça-feira, 15 de maio de 2012

Lembrando a campanha do Leão

O Avaí foi campeão com todos os méritos. Venceu as duas partidas e não tem como se questionar qual foi o melhor time na final. Pouco importa o resto do campeonato, pois o regulamento era claro no que ser refere que ao final dos dois turnos se classificavam quatro times para as semifinais. Entretanto, durante estes quatro meses de disputa, muita coisa aconteceu no sul da Ilha.

A diretoria terminou o ano passado anunciando a contratação de Mauro Ovelha, o que dividiu opiniões. Alguns acharam a escolha certa, pelo seu passado de levar vários times às finais do estadual e outros pensavam que não era um técnico para um time como o Avaí que iria disputar uma série B.

Depois de uma derrota na primeira rodada em Chapecó, o Leão emplacou 5 vitórias seguidas e a confiança do torcedor aumentou. Ainda tinha muito torcedor estilo Barcelona que torcia o nariz para o futebol de resultado do então técnico avaiano. A derrota no clássico, mesmo jogando melhor que o adversário, num estilo até diferente do que vinha jogando, foi o começo da ruína do Mauro Grasel, que ainda comandou o time por mais 6 partidas (2v, 1e, 3d) até a fatídica derrota para o caçula do campeonato.

A derrota fez com que os profetas e mutos blogueiros decretassem o fim do Avaí no campeonato. Eu mesmo desanimei, mas não joguei a toalha (vou provar em seguida).

A diretoria demitiu Ovelha e promoveu Hémerson Maria para técnico do time profissional e Émerson Nunes como seu auxiliar. É claro que isto não estava planejado, mas o que a diretoria tinha fazer? Só restava demitir o treinador cujos resultados não eram bons. Promover o técnico da base não é nenhuma solução inovadora e é medida recorrente em muitos clubes, inclusive no Avaí.

Felizmente o técnico Hémerson Maria saiu melhor que a encomenda. Todos os méritos para ele. Ninguém da diretoria esperava seu sucesso? Eu também acho. Assim como a esmagadora maioria da torcida avaiana. Para a sorte do HM, o adversário seguinte foi o marinheiro afogado. Numa noite fria, eu e mais 1759 torcedores assistimos o time do Leão dar uma sova de 6x1 no rebaixado time de Itajaí (taí a prova). Muita gente disse que era uma vitória enganadora e que temia pelo pior no clássico.

E foi justamente no remendão que HM mostrou sua estrela. Depois de terminar o primeiro tempo perdendo de 1x0, levar um gol logo no início do segundo tempo e quase levar o terceiro em seguida, os comandos do soldado avaiano foram a luta e conseguiram um empate e quase a virada do jogo.

O clássico é um jogo que muda tudo mesmo. HM virou unanimidade e a esperança voltou.

Veio o jogo do Joinville que o Leão venceu e depois foi buscar a classificação em Blumenau, dando um banho de bola no time do vale. A classificação estava garantida e o Leão havia chegado nas semifinais. O que era ruim virou bom (menos a diretoria).

No primeiro jogo das semifinais, um frustante empate contra o time do oeste, que não veio para jogar, mas somente para amorcegar o jogo, com a complacência do soprador de apito que nem me lembro mais quem era. O pessimismo voltou a reinar. O capitão avaiano deu uma declaração dando a entender que tinha gente dentro da Ressacada que já tinha jogado a toalha, mas eles não. Os jogadores podiam até não ter jogado a toalha, mas além de certos diretores, muitos torcedores e blogueiros também jogaram.

No jogo de volta, tudo parecia dar errado. O time do oeste nem jogava bem, mas fez um gol numa falha de marcação da zaga. Veio o segundo tempo, HM fez mudanças que ninguém entendeu, mas deu certo. Por causa disso, teve gente dizendo que ele foi ousado. Se não tivesse dado certo, ia ser chamado de burro e que tinha que voltar para a base mesmo. Mas HM tem estrela e foi justamente Patrick, jogando fora de posição, que fez o gol da virada e da classificação para as finais.

Nos jogos finais, o time foi muito diferente de tudo que a gente viu no campeonato. Os jogadores estavam bem distribuídos em campo, obedeciam taticamente o que fora combinado, marcaram em cima, se deslocavam com velocidade e jogaram com muita vontade. Resultado: 3x0, que só não foi 4, porque o Nunes não aproveitou a chance que teve. Um banho de bola, de tática e de eficiência. Neste domingo, mais um partida notável do time que fez dois e podia fazer mais.

Campeão com méritos e sobras.

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