segunda-feira, 18 de abril de 2011

Ainda bem que não somos dirigentes

Falar que os dirigentes de futebol são despreparados e incompetentes é regra geral entre torcedores. Muitos deles realmente merecem este conceito. Alguns são bons gestores, mas não conseguem emplacar um time vencedor, como foi a primeira parte da era Zunino e por isso caem na mesma vala, pois o que o torcedor quer em primeiro lugar, são vitórias e conquistas.

Por outro lado, assim como os comentaristas que nunca perdem as partidas e sempre sabem qual a melhor substituição e a melhor tática para um jogo que já terminou, os torcedores também pensam ter as melhores idéias para o seu time de coração.

A grande maioria pensa com o fígado (ou com coração, como queiram). Não avaliam as conseqüências de suas idéias. Se os dirigentes dispensassem um jogador cada vez que a torcida diz que fulano não serve para o time, seria necessário contratar pelo menos uns 80 jogadores por ano, para poder substituir os que não foram aprovados pela massa torcedora. É fácil saber que isto não dá resultado, pois os clubes que remontam seu time todos os anos, trocando a maioria dos jogadores, não obtém sucesso algum. O Galo Mineiro é um exemplo bem ilustrativo disto e o Avaí deste ano também.

E o que falar das parecerias? Agora a LA é o pilar que o clube não poderia de maneira nenhuma dispensar, mas em outros tempos era o fim do mundo e muitos diziam que só jogava quem pertencia à empresa do Luis Alberto. Os mesmos que dizem hoje que é muito importante ter a LA como parceira, antes diziam que o clube não poderia ficar refém de um empresário e que este só trazia tranqueira para cá.

Se voltássemos no tempo, não muito, apenas no início deste ano, veríamos que a maioria das contratações foi bem recebida pelos torcedores. Muitos diziam (e alguns ainda dizem) que o elenco era o melhor formado nos últimos anos, com jogadores de qualidade tanto no time principal como na suplência. Como os resultados não estão acontecendo do jeito esperado, tem gente dizendo que fulano, sicrano, beltrano e mais uns 10 não tem condições de jogar uma série A pelo Avaí.

Se o povo gostava dos jogadores, o mesmo não podia se dizer do técnico. Benazzi “cometeu o erro” de não escalar o time titular nas duas primeiras rodadas do campeonato, não se classificou para as semifinais do turno e não conseguiu que seu time apresentasse um bom futebol. Se tivesse resultados positivos, certamente sua rejeição diminuiria e ele continuaria até os primeiros maus resultados. Isto já havia acontecido em 2008, quando Sérgio Ramirez, igualmente rejeitado pela torcida e chamado de retranqueiro, fazia um primeiro turno notável, com grandes apresentações e muitas goleadas e por isso começou e receber apoio de uma parcela da torcida. Mas então veio a derrota no clássico e depois aquele jogo contra a Chapecoense, que foi o início do seu fim, que terminou após um empate com o Cidade Azul e uma derrota para o Marcílio Dias.

Assim como após a saída de Ramirez, depois de mandar Benazzi embora, a diretoria contratou Silas. Na primeira vez, chegou sob a desconfiança de todos e foi conquistando seu espaço aos poucos, com seu jeito e claro, com os resultados. A conquista do estadual não veio, mas ele ficou para a série B e o resto da história todos conhecem. Já neste ano, chegou dividindo opiniões, muito por causa de seu comportamento nos tempos de treinador de Grêmio e Flamengo. Mesmo assim, houve um voto de confiança nele por parte da maioria, mesmo entre aqueles que não o queriam de volta.

Eu havia escrito que a paciência da torcida com ele não seria a mesma da primeira vez. Não deu outra, já tem muitos fazendo campanha para a troca do comando. Suas decisões são contestadas e até acusação de escalar determinados jogadores apenas por afinidade religiosa já houve. Será que o Rafael Coelho está freqüentando alguma igreja e foi por isso que conseguiu colocar o Evando no banco? Será que o Estrada não é escalado porque não reza a Bíblia? Mas quem são os religiosos do meio de campo? Marquinhos Gabriel não tem cara de atleta de Cristo e Marquinhos Santos já falou que a turma dele é a do pagode.

Os dirigentes e o técnico erram e muito, mas a imprensa e a torcida não se lembram das várias vezes que falaram que um jogador não servia para vestir a camisa azul do Leão e tempos depois estavam elogiando o cara. Isto quando o perseguido não era mandado embora e depois, ao se destacar em outro clube, sobrava para a diretoria que era acusada de incompetente por ter deixado o brilhante jogador ir embora.

O campeonato brasileiro está chegando e novas contratações serão anunciadas. O ótimo elenco do início do ano virou um grupo desacreditado que muitos afirmam ser candidato ao rebaixamento. Quem tem razão? Os resultados vão dizer.

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